Coração

Novembro 5, 2009

A vida é engraçada

Mas por que será

Que eu não estou rindo?

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Viver é um mistério

Que se ramifica

Em vários outros

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Perguntas demais

Respostas de menos

Silêncio ensurdecedor

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E já que é

Para perguntar

Então lá vai

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Porque será que algo

Que foi feito só para bater

Vive apanhando?

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* Pode reproduzir este conteúdo à vontade, desde que cite a fonte.


Blackout

Outubro 19, 2009

blackout1

- E agora, nós vamos brincar de quê?

- De estátua, até a luz voltar.

- E se a luz não voltar? A gente vai ficar estátua pra sempre?

- Eu não consigo mexer os dedos…

- Solta o controle do vídeo-game, ué.

- Mas aí eu vou colocar a mão onde?

- Melhor não sugerir…

- Ô galera, bem que a gente podia brincar de adivinhar coisas no escuro.

- Como assim?

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Promessa

Outubro 6, 2009

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Eu sou um cara nostálgico. Gosto de lembrar das coisas que já me aconteceram e deixaram uma marquinha, por mínima que seja. Como a cicatriz que eu tenho no abdômen desde pequeno, resultado de um fio de arame saliente e uma subida mal calculada na carroceria de um caminhão. Ou a pele mais porosa e esticada de um joelho que adorava lamber o chão. Essas lembranças divertem e dão uma saudade gigante da época em que as preocupações ficavam só para os adultos.

Mas também existem as lembranças que não são físicas e, por incrível que pareça, doem muito mais. Lembro, por exemplo, de quando eu estava na pré-escola e era o único que já sabia ler, escrever e desenhar. Depois da aula sempre as professoras me davam papel e lápis de cor – mas nunca devolviam meus desenhos – enquanto eu esperava minha mãe vir me buscar. E ela sempre vinha sorrindo, de saião rodado, flutuando em sua bicicleta ‘rosa pink’. Eu achava o máximo pegar carona na garupa e a aguardava ansiosamente. ‘Ela falou que viria me buscar – promessa de mãe’.

Se tem algo que aprendi com minha mãe é sorrir sempre, apesar de às vezes o coração gritar de dor. A melhor arma daquela guerreira da bicicleta rosa era o sorriso, embora muitas vezes eu a tenha visto chorando no canto, cabisbaixa, soluçando baixinho, falando com Deus. Com ela, aprendi muita coisa, sem precisar dizer palavra alguma.

Às vezes penso que ter uma memória detalhista – ou, simplesmente, uma memória melhor do que as pessoas que te cercam – é como ser imortal. As pessoas simplesmente não conseguem se lembrar de algo que, para você, ainda é vívido. Só você se lembra. É como ver as pessoas indo embora, te deixando eternamente só.

Na última sexta-feira, minha mãe completaria 47 anos, se não tivesse me deixado abruptamente em 2003, sem ao menos se despedir.

Mas enquanto houver lembranças, sua memória ficará mais viva do que nunca. ‘Promessa de filho’.

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É um pouquinho de Brasil, iaiá…

Setembro 29, 2009

Era uma vez o Zé Siqueira e o Bonifácio.

Eles nunca se conheceram.

O Zé Siqueira tinha um comércio e sempre se privava de muitas coisas para manter seus impostos em dia. O Bonifácio herdara as empresas de seu pai e subornava fiscais em um sigiloso esquema de sonegação fiscal.

Certa vez, Bonifácio ganhou o prêmio de cidadão exemplar pela prefeitura da cidade. No mesmo dia, após ser atendido por um departamento da prefeitura, Zé Siqueira não devolveu o grampeador e foi preso por furto. Pegou quatro anos de cadeia e, um dia, simplesmente não acordou mais.

Fim.


Dia do cliente

Setembro 18, 2009

No último post falei sobre o Dia do Cliente (foi 15 de setembro).

To colocando aqui o e-mail marketing que eu fiz (redigi) para mandar para os clientes da agência onde me mato trabalho.

Email-mkt - Dia do Cliente

Clique para ampliar

Se quiserem ver mais alguns trabalhos que já fiz como redator publicitário (grande coisa), é só clicar no link abaixo:

Meu portfólio

Bom final de semana pra vcs.


See it

Setembro 15, 2009

Oi, todo mundo.

Hoje é o dia do cliente.

Se fosse internacional, a seleção brasileira poderia até parabenizar o Maradona. :D

Enfim, não vem ao caso.

Vamos ao que interessa:

Já ouviram falar em Beethoven? Pois é…

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Stars

Setembro 10, 2009

Tem coisa nova por aqui.
Agora você pode avaliar se gostou ou não do que eu postei, escolhendo de 1 a 5 estrelas. É só clicar no título do post para abri-lo em separado e, depois de ler, votar.
Não deixem de comentar também, isto é muito importante para saber que caminho devo seguir.

To doente – e, ainda assim, trabalhando. Talvez não tenha mais posts por hoje.
Mas vocês já sabem que este é um blog de atualização SEMANAL, certo?! ;)

Valeu!


Especial

Setembro 2, 2009

capacete_b

Tentou acelerar um pouco mais a moto para passar no sinal amarelo, mas não se pode exigir muito de uma 125cc.

Parou, desengatou e botou o pé esquerdo no asfalto. Aquele semáforo era o de três fases – dois minutos de espera o aguardavam.

- Era só o que me faltava…

Levantou a viseira do capacete e deixou o ar entrar por uns segundos.

Fechou os olhos. Tornou a abri-los.

Ao seu lado direito, o corredor de ônibus. Ele costumava compará-los a uma manada de elefantes brancos. Primeiro, porque essa era a cor da empresa de transporte. Segundo, porque é o que eles eram realmente: menos da metade da frota circulava pela cidade.

O sol já puxava as cobertas e alguns carros já trafegavam de lanterna acesa. O céu anunciava chuva – a garota do tempo não ousaria discordar.

Enquanto ele fitava o asfalto, outra moto parou ao seu lado. Era bem maior e mais potente que a sua. Cheirava a nova, inclusive. Mas o que despertou sua atenção foi o pezinho delicado que aterrissou no chão, feito pluma. Era um choque, uma quebra de paradigma.

Ergueu os olhos – mas não a cabeça – e pareceu sonhar. A cena era quase um erro. A criatura tinha o corpo feminino e delicado disfarçado por um macacão de motoqueiro surrado. As luvas grosseiras suprimiam mãos que poderiam ser de um anjo.

- Quase uma falha na matrix…

Quando ergueu a cabeça, os olhos de ambos se encontraram por meio segundo – o suficiente para fazê-lo estremecer. Lindos olhos de esmeralda, quase cristalinos. Quem mergulhasse neles correria o risco de se afogar.

Aquela visão sublime o levou a outro lugar, longe do barulho, do céu fechado, do semáforo de três fases. Estava voando, longe dali, de encontro ao silêncio inebriante, à paz absoluta.

Notou que algumas mechas do cabelo escapavam por baixo do capacete, embalados pela brisa. Lindos cabelos… brancos?

O tempo parou de vez.

Contemplou novamente a motoqueira destemida. O corpo grácil quase flutuava sobre a moto, que parecia ter mil vezes o seu peso. Os lindos olhos verdes eram ladeados por rugas risonhas, quase imperceptíveis sob o capacete. Sua verdadeira idade poderia revelar que ela era ainda mais frágil, que a cena estava ainda mais errada e sua suspeita ainda mais correta.

O anjo da moto possante acenou para ele, roncando o motor. O semáforo abriu. Atordoado, só agora ele se deu conta de que aquela linda criatura era mais especial do que ele imaginava, mas não conseguiria alcançá-la com sua 125cc.

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Hipocrisia alimentar

Agosto 31, 2009

Era uma vez o Tadeu e o Gérsão.

O Tadeu tinha 25 anos e era vegetariano. O Gérsão tinha 32 e comia de tudo. Ambos nunca se conheceram.

Um belo dia, enquanto fazia sua refeição aguada de domingo, o Tadeu engasgou com um talo de aipo e morreu asfixiado.

O Gérsão viveu até os 82 anos; teve 3 filhos, plantou várias árvores e escreveu um livro sobre técnicas de churrasco.

Fim.


Palavras

Agosto 24, 2009

Fonte: www.teachpeace.com/methodology

Tudo o que me motiva

É ao mesmo tempo

Tudo o que me impede.

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A alma sempre pede por algo mais

E me questiono:

Até quando

O muro que me protege

Vai aguentar a pressão

Já que os tijolos são feitos

De fracassos?

Será que esse material é bom?

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Sou cercado

Por demagogia

Discursos prontos, vagos

De gente que vomita palavras

Como se elas não fossem importantes

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As palavras são cruciais

Mas ninguém enxerga isso.

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Não entendo

Por Deus, não entendo

O anseio que as pessoas têm

De mostrar que sabem

Mais do que você

Que, por falar difícil

Elas são mais altas

Mais prontas

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Frases decoradas

Papo furado

Conteúdo zero

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***

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Palavras, palavras

Que se transformam em lágrimas,

Em vômito, em tinta,

Em vazio

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Palavras, eu as amo

Mais do que a mim mesmo

E talvez seja esse o meu defeito

Porque elas são apenas amigas

Passeando nos lábios de outros

Que as usam como objetos

Sem compreender seu real valor

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***

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O dia se foi

Pra mim já deu

Não quero mais vomitar palavras hoje.

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