Sua melhor marca

dezembro 3, 2010

A Gamaia é uma rede de lojas de esporte, muito conhecida aqui no Vale do Paraíba.

O vídeo que vem a seguir faz parte da campanha de reposicionamento que fizemos para a Gamaia (estreou em setembro). O tema gira em torno do conceito “sua melhor marca” (tudo a ver com o esporte, tudo a ver com a vida), e faz parte do esforço de criar um DNA para a marca Gamaia, posicionando-a como uma marca distinta, que reúne as grandes marcas esportivas para que o cliente alcance sempre sua melhor marca.

Bem, chega de bla bla bla. Assista e diga se o vídeo te provoca alguma reação ou não.

Ah! O texto e roteiro foram feitos por mim.
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Faz tempo…

dezembro 3, 2010

Bom dia.

Faz um tempinho, héin?!
Não tenho conseguido me dedicar ao blog como gostaria.
Traduzindo: Não tenho conseguido me dedicar a mim mesmo como gostaria.
Vai entender o ser humano.
No próximo post (aí em cima), vou colocar um vídeo cujo texto e roteiro foram feitos por mim (faz tempo que não coloco coisa do meu portfólio).

* Tô pensando em reformular o blog, mudar o layout. Quem sabe.

Excelente final de semana!

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Lenda

setembro 27, 2010

- Muito tempo atrás, em eras remotas de nossa civilização, houve um povo que se determinava superior a todas as outras raças. Eles não pertenciam a este planeta.

- Ooooh!

- Esse ancião é muito sábio.

- O velho Opportunity está é perdendo o juízo.

- Shh! Quer ficar quieta, molecada? Quero ouvir!

- Meus amigos, esse segredo eu venho guardando durante todos esses anos. Meu nome oficial é MER-B. Eu não nasci neste planeta.

Silêncio.

- Eu cheguei aqui alguns dias depois de meu irmão gêmeo, Spirit, nome oficial MER-A, que já não está entre nós. Ele era muito sensível e não resistiu ao rigoroso clima daqui. De qualquer forma, nossa sobrevivência sempre foi considerada um milagre, já que nossa missão duraria apenas três meses. No final das contas, perdemos contato com nosso planeta natal. A única pista que tenho de nossa vinda para cá é este pedaço de papel, que provavelmente veio conosco de nosso planeta de origem.

- Leia a mensagem, velho Opportunity!

- Sim, leia para nós, alienígena!

- Como queiram…

“Eu morava num orfanato.

Escuro, frio e solitário.
À noite, olhava para o céu cintilante e sentia-me melhor.
Sonhava que podia voar naquele céu.
Aqui, todos os meus sonhos podem se tornar reais…

Obrigada pelo ‘Espírito’ e pela ‘Oportunidade’.”

 

- Não está datado, apenas assinado com o nome: Sofi Collis.

- Ele está caducando…

- Presta atenção! Ele é um velho muito sábio!

- Senhores, não quero que pensem que estou fora de meu juízo. Meu irmão gêmeo e eu fomos enviados a este planeta para explorá-lo. Deveríamos documentar tudo o que víamos e enviar a nosso planeta. Dados como temperatura, relevo, existência de água, de vida…

- Você está fora de si, Opportunity.

- Deixem-me terminar. Eu sinto que já não tenho tanto tempo de vida, já que dependo mais do sol do que vocês, embora ele esteja cada vez mais distante de nós. Em nossa missão, meu irmão Spirit e eu nos separamos. Deveríamos vasculhar pontos diferentes de nosso planeta, apesar do risco da operação. Lembro-me de enviar dados ao meu planeta natal, mas não me lembro como. Durante uma tempestade de inverno, fiquei encolhido e sem alimentação durante toda a estação, mas milagrosamente, sobrevivi. Não posso dizer o mesmo de meu irmão gêmeo. Provavelmente, a carcaça dele deve ter sido encoberta por outras tempestades ao longo dos anos.

- Se isso que diz é verdade, Opportunity, como você pode provar? Você é igualzinho a nós! Não tem como ser de outro planeta.

- Queridos. Ao longo dos anos, o meu planeta enviou mais de nós para missões especiais, inclusive de povoamento. Todos vocês são fruto da procriação de uma raça alienígena!

- Ora, não me venha com essa!

- Quanta baboseira!

- Alguém faça este velho calar a boca!

- Por favor, senhores. Acreditem em mim. O que digo é a mais pura verdade. Mas não tenho como provar porque o meu antigo planeta foi extinto.

- Colidiu com meteoro?

- Explodiu sozinho?

- Derreteu feito sorvete?

- Não, senhores. Os próprios habitantes de meu planeta o extinguiram. Este planeta, na verdade, era habitado por diferentes seres. Mas tinha uma raça que se julgava superior às outras. Senhores, este planeta era um paraíso. Era rico em vegetação, das mais variadas espécies. Tinha água em grande quantidade, alimento para todos; raças diferentes conviviam sob o mesmo teto. Mas, com o tempo, esses seres superiores subjugaram o planeta e todas as demais raças, exterminando muitas delas. E, como se isso não fosse suficiente, devastaram, ao longo de milênios, a vegetação do planeta. Nesse tempo, meu irmão e eu fomos enviados para cá, porque essa raça se sentia tão superior que não se contentou apenas com o que já conseguira conquistar.

Pausa. Suspiro.

- Mais e mais de nós foram enviados para cá, a fim de sondar o planeta e encontrar condições de habitação. Mas sempre houve conflitos de interesses, brigas, guerras, extermínio. O planeta ficou devastado, e as raças foram se extinguindo, até sobrar um resto de civilização. Até onde tenho conhecimento, todos os seres viventes do planeta foram exterminados, antes que algum deles pudesse alcançar nossa órbita.

- Então, você não fazia parte da tal raça superior, Opportunity?

- Não. Ninguém aqui descendeu dela. Eu apenas fui criado por eles, mas perdemos o contato. Após o desaparecimento de meu irmão, tornei-me independente. Vaguei sem destino por caminhos íngremes, tortuosos, crateras, desertos, até que um dia descobri que não estava sozinho.

- Foi o dia que você apareceu no topo da montanha, quase desfalecendo! Eu me lembro bem, pois cuidei de você naquele dia.

- Sim, Curiosity. E sou grato a você, por isso. Inclusive, devo informá-lo que você é uma das sondas que foi enviada pra cá, por volta do remoto ano de 2011. Eu me lembro de ter tido acesso a esse relatório, antes de perder o contato com o meu planeta. Alguns anos mais tarde, após a descoberta definitiva de água por aqui, mais alguns de vocês chegaram. Outros de vocês nasceram aqui. Ah, se a raça superior soubesse que não seria imortal…! Se eles soubessem do sucesso da missão aqui em Marte…! Infelizmente, o único projeto deles que deu certo foi o que eles não conseguiram interferir diretamente. Até porque, tudo o que eles colocavam as mãos, mais cedo ou mais tarde, virava ruínas.

- E essa raça superior tem um nome, Opportunity?

- Opportunity?

- O sol se pôs, galera. Não se lembram que ele só funciona a energia solar? Vamos todos para a casa e deixem o velho Opportunity recarregar as baterias. Já ouvimos lendas demais por hoje.

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Este texto é baseado em fatos reais. Pode até parecer viagem, mas escrevi isso inspirado nas sondas de Marte – Spirit e Opportunity. Até o versinho no começo é verdadeiro: dele, surgiu os nomes das duas sondas. O curioso é que elas deveriam “sobreviver” apenas 3 meses, mas estão lá em Marte, funcionando, desde 2004. Então, tentei imaginar um futuro para isso. As informações estão bem explicadinhas nesses links:

Sonda Opportunity

http://migre.me/1pJr6

 

Sonda Spirit

http://migre.me/1pJsk

 

Missões, sensibilidade do Spirit

http://migre.me/1pJsP

 

Robô Curiosity para 2011

http://migre.me/1pJtg

 

Novos robôs em vista

http://migre.me/1pJtJ

 


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* Pode reproduzir este conteúdo à vontade, desde que cite a fonte.


De 4 em 4, de A a Z

setembro 13, 2010

A letra A apareceu na promessa, mas não no cumprimento.

A letra B acreditou e fez papel de boba. Duas vezes.

A letra C calçou uma cedilha para aparecer na eleição.

A letra D sugeriu iniciar os debates eleitorais.

A letra E apareceu duas vezes nos debates.

A letra F concorda que onde há fumaça, há fogo.

A letra G não vota porque está no Paraguai.

A letra H sempre desconfia que há algo errado.

A letra I ainda não percebeu que está no meio da eleição.

A letra J tem boca suja, mas ficha limpa.

A letra K não vota porque ainda tem poucos km rodados.

A letra L ficou entre calar e mal falar.

A letra M já tem seu lugar garantido antes do P e do B.

A letra Nfaz parte do senado.

A letra O dormiu no ponto.

A letra P fez parte da pesquisa, mas não apareceu nas estatísticas.

A letra Q se omite atrás da interrogação e diz que não sabe de nada.

A letra R já foi vista duas vezes no meio dos corruptos.

A letra S só faz discurso em plural.

A letra T é dona da TV e faz tráfico de informações.

A letra U entrou na urna.

A letra V começou a votação.

A letra W se naturalizou, mas não vai às urnas.

A letra X recebe poucos votos, mas é eleita por baixo dos panos.

A letra Y traz o catupiry.

A letra Z, sorridente, aparece com a pizza no final.

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O legal é analisar linha por linha. Todas elas têm uma brincadeirinha.

Mas, na hora de votar, esqueça as brincadeiras e vote com consciência.

Já não basta o nariz de palhaço que a gente tem que vestir de 4 em 4 anos…

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Sangue

agosto 13, 2010

Homenagem a um grande camaradinha. Que descanse em paz.

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Eu te dou o céu

Para ser livre

Voar ao infinito

Sem preocupações

Sem medo

Sem distância

Você pode ter a noite

Com toda sua escuridão

Pode ter o dia

O calor

Qualquer paisagem

Você pode ter o mundo

Aos seus pés

Pequenos pés

Delicados pés

Mostre sua voz

Sua sinfonia

Às estrelas

Longe de mim

Eu me conformo

Se eu me machucar

E te dou o meu sangue

Mas pelo amor de Deus

Me deixa dormir sossegado

Seu pernilongo dos infernos.

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Aconteceu na pracinha

julho 30, 2010

Aconteceu na pracinha, que fica em frente à agência. É um desses momentos de descontração, em que alguém puxa a persiana, vê uma cena engraçada e chama o resto pra olhar. Mas apenas assistir não tem graça, o legal mesmo é dublar a cena e rir muito (afinal de contas, a vida não é só tela de computador). Pena que não deu para tirar foto delas. Mas coloquei aí em cima uma foto da praça.


Eram duas senhoras, em uma cena, no mínimo, curiosa: ambas agachadas no meio-fio, procurando não-sei-o-quê. Na grama da pracinha, um jornal, um casaco e um ramo de alguma planta. O resto, a imaginação comanda:

- Comadre, escuta… o que é que você procurando aí?

- Você não vai acreditar… Achei duas moeda de um centavo pra coleção do Jorge Lineu!

- Haha (cof, cof). Que beleza.

- Só não conseguindo catar, viu?! sem unha pra isso…

- De quem é esse totó aí?

- Hein?!

- Esse cachorro aí, no meio da rua?

- Pensei que fosse seu.

- Comadre, vem pra calçada que o carro querendo estacionar aí.

- Hein?!

- O carro.

- Ah, agora ele vai esperar eu catar essa moedinha aqui…

- Vem, totó.

- Consegui! Ai, minhas anca… que calçada alta.

- Comadre…

- Sim?

- Tem alguma coisa errada com essa planta aqui…

- Deve ser aluz… anuci… alucinósna.

- Hahaha (cof, cof)… o certo é alucinóssa.

- Nossa… hehehe (cof, cof)… Ai!

- Que foi?

- Caiu minha moedinha.

- Na grama?

- Acho que sim. Ajuda a procurar?

- Mas ce sabe onde foi que caiu?

- Na grama, ué.

- Mais ou menos por aqui?

- É… em algum lugar por aí…

- Eita, que ficou difícil… ruim das vista.

- Olha, o totó achou! Não come não! Totó mau!

- aqui, minha fia. Toda babada, mas aqui.

- Que nojo… e se esse cachorro tiver doença?

- Não me importo! Vai ser mais uma pra coleção!

- Mais uma doença?

- Não, mais uma moeda! Esse totó aí tem coleira, é vacinado.

- Como sabe?

- Ele tem carinha de vacinado, olha só…

- Hehehe… (cof, cof). É não é que tem mesmo?

- Não se preocupa.

- certo, comadre. Então pega o teu casaco e vamo embora.

- Vamo. Pega o teu jornal. E não esquece do galhinho…

- Uffff… ai, minha coluna. aqui o jornal.

- E aqui o casaco.

- E o galhinho? Quem pega?

- Ai, deixa que eu pego.

- Pronto. Peguei o galhinho e o casaco.

- Ih, mas caiu um botão…

- Ai, minhanossinhora, o casaco que era da minha nona. Me ajuda a achar o botão…

- E onde eu deixo o jornal?

- Embrulha a planta com o jornal e me ajuda a achar o botão.

- Pronto. Mas caiu minha moeda.

- Achei o botão.

- Caiu a planta.

- Achei a moeda.

- Caiu o casaco.

- Peguei a planta, mas caindo as folha…

- Não desperdiça. Pega elas e põe dentro do jornal.

- Peguei o casaco.

- Peguei as folha.

- Sai, totó.

- Vamo indo, comadre, já é quase meio-dia. Hora de preparar a janta.

- Vamo (Cof, cof). Ai, minhas anca.

- Essa pracinha até que é bem cuidada, comadre?

- É. Ainda bem que tem piso firme em volta.

- Ops, caiu o botão. Me ajuda…

- Ih, caiu o jornal.

- Cadê minha moeda?

- Volta aqui, totó!

E, assim, agachando-se pesadamente de metro em metro, elas dobraram a esquina, deixando para trás uma porção de folhinhas e uma pá de risadas.

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Farelo

julho 8, 2010

- Eu já tomei o comprimido?

- Não sei, você é que tem que saber.

- Pois é, eu trouxe e deixei em cima da mesa, pra aproveitar o café com leite.

- Ih, mas dizem que não é bom beber comprimido com leite, ? O melhor mesmo é com água.

- E quem é que consegue beber água assim que acorda?

- Bom, isso é verdade.

- …

- Dizem que beber água logo cedo é sinal de ressaca.

- É, dizem. Será que é verdade?

- Não sei. Quer pão com manteiga?

- Quero.

- Quente ou frio?

- Quente.

***

- Estranho…

- O quê?

- Eu não me lembro de ter tomado o comprimido.

- Olha ele aí, perto da tua mão esquerda!

- Ah, é. Vou deixar aqui do lado da xícara pra lembrar.

- Teu pão pronto. Vem pegar.

- Ué, não sabia que a torradeira ainda tava funcionando.

- E eu não sabia que ela tinha parado de funcionar.

- O pão frio, mulher. Nem torrou. Você já usou alguma vez na vida uma torradeira?

- Não.

- Tudo bem, eu esquento no microondas mesmo.

- Mas vai ficar com aspecto de borracha.

- Que seja. atrasado, já.

***

- Opa, quente. Café novo?

- De ontem à tarde. Esquentado no microondas também.

- Ah.

- Tomou o comprimido?

- Puxa, é mesmo! O comprimido! Onde foi que eu deixei mesmo?

- Eu achei que você já tivesse tomado com água.

- Não, eu não consigo beber água de manhã.

- Não é isso aí grudado no seu cotovelo?

- Ah! Isso mesmo. Deixa eu mastigar esse pão, aí tomo o comprimido.

- Vai com calma.

- com pressa. Poxa, essa manteiga rançosa, hein?!

- Era a mais barata.

- pesquisou em todos os supermercados?

- Claro, tudo anotado.

- Mmfff. Que seja.

***

- Hoje chega mais tarde de novo?

- É, tem cerão. Fazer o quê? É preciso ganhar a vida.

- Sei.

- Eu já tomei o comprimido? Tava aqui do lado da xícara.

- Mas não está mais. Deve ter tomado.

- Ah! aqui, misturado com estes farelos de pão.

- Então vê se enfia logo goela abaixo, pra não esquecer de novo!

- Tem razão. Glupt.

- Você atrasado…

- Nossa! É mesmo! Pega meu casaco, que eu preciso escovar os dentes! Hoje eu não posso chegar atrasado, senão o chefe me mata!

- Que ironia. Ou você morre por chegar atrasado ou morre de tanto fazer hora extra.

- Não chora. Quando eu voltar eu trago pizza.

- Eba.

- Dá cá uma bitoca no maridão, vai!

- Até a noite.

- Até.

***

- Oi, patroa. Já cheguei pra faxina.

- Ah, pode entrar, Maria. Eu vou me trocar e volto pra te dar uma força. Enquanto isso pode ir recolhendo a mesa.

- certo, patroa.

- Pronto. Recolheu tudo certinho?

- Ahã. As xícaras tão na pia. O pão eu guardei no tapoér. A margarina foi pra geladeira.

- Certo.

- Eu só não sabia o que fazer com aquela balinha que tava entre os farelo

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Olá, pessoas. Vou começar a colocar sempre um comentário no final do texto. Esta crônica não está entre as minhas preferidas, não gostei muito do desfecho. Mas o legal das crônicas é a identificação com o próprio cotidiano. Eu mesmo, hoje cedo, quase não tomei um comprimido, achando que já tinha tomado. Culpa da cor da toalha de mesa. Pelo menos eu não o confundi com um farelo de pão, como o nosso amigo.

Aposto que isso já aconteceu com alguém que leu este texto também…

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Passagem

junho 18, 2010

Entrou no ônibus e acomodou-se nos assentos de idosos. Roupa surrada, chinelo de dedo. Sem dinheiro.

Encostou a cabeça na janela, apesar dos solavancos que o ônibus fazia.

Olhando para fora, fitou o vazio. Do lado de dentro, outros vários olhos se concentravam nele.

A viagem prosseguiu, apesar disso.

Em uma dessas paradas, dois rapazolas entraram de arma em punho.

Um deles foi direto ao cobrador. O outro pulou a catraca, instalando o pânico naquela meia dúzia de passageiros.

O rapazola do corredor “reuniu” alguns pertences alheios em uma mochila e repassou-a ao companheiro, saindo pela porta dos fundos.

Após terminar de “fazer a rapa” no cobrador e enfiar tudo na mochila compartilhada, o primeiro delinquente recuou rumo à porta da frente.

Esse foi o seu erro.

Um chinelo de dedo, recheado com um forte pé cascudo, tratou de desarmar o trombadinha, enquanto um pulso forte arrebatou a mochila e empurrou o moleque de encontro ao motorista.

O dinheiro e os pertences foram recuperados. Todos se sentiram felizes.

Na verdade, aliviados.

Ninguém aplaudiu.

Minutos depois a polícia fez sua visita ao ônibus, levando consigo o rapazola.

E botou ordem.

A viagem recomeçaria, mas agora sem a presença de seu herói sujo.

Ele não tinha dinheiro pra pagar a passagem.

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De volta!

junho 11, 2010

Nossa, que desleixado eu sou.
Fiquei um tempão sem postar e nem avisei que eu estava de férias.
Também pudera, depois de quase 5 anos sem férias, entre um emprego, um estágio e outro emprego, já estava na hora. Aproveitei bastante, inclusive para me afastar um pouco desta máquina do mal chamada PC.
Mas estou de volta. Vou reorganizar as coisas por aqui e volto a postar textos ou outras cositas mais na semana que vem.
Ótimo final de semana!


Veja

abril 16, 2010

Era uma vez um cara chamado Timeu.

Ele tinha um filho que era cego.

Certa vez, o rapaz foi consultar o Dr. Emanuel, dizendo que queria ver.

Após a cirurgia, ele viu.

Viu o Haiti, o Chile e a China tremerem.

Viu o dilúvio brasileiro.

Viu o festival permanente de Brasília.

Viu a igreja católica revelar sua fratura exposta.

Viu a igreja evangélica virar um negócio rentável.

Viu uma geleira cuspir fogo.

Viu a doença terminal que implantamos na natureza.

Viu que o dom da visão vem acompanhado com um nó na garganta.

Viu que o mundo está sendo “descriado”.

Viu que a vida aos poucos perde o sentido.

E se arrependeu de ter cinco sentidos.

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