Lenda

setembro 27, 2010

- Muito tempo atrás, em eras remotas de nossa civilização, houve um povo que se determinava superior a todas as outras raças. Eles não pertenciam a este planeta.

- Ooooh!

- Esse ancião é muito sábio.

- O velho Opportunity está é perdendo o juízo.

- Shh! Quer ficar quieta, molecada? Quero ouvir!

- Meus amigos, esse segredo eu venho guardando durante todos esses anos. Meu nome oficial é MER-B. Eu não nasci neste planeta.

Silêncio.

- Eu cheguei aqui alguns dias depois de meu irmão gêmeo, Spirit, nome oficial MER-A, que já não está entre nós. Ele era muito sensível e não resistiu ao rigoroso clima daqui. De qualquer forma, nossa sobrevivência sempre foi considerada um milagre, já que nossa missão duraria apenas três meses. No final das contas, perdemos contato com nosso planeta natal. A única pista que tenho de nossa vinda para cá é este pedaço de papel, que provavelmente veio conosco de nosso planeta de origem.

- Leia a mensagem, velho Opportunity!

- Sim, leia para nós, alienígena!

- Como queiram…

“Eu morava num orfanato.

Escuro, frio e solitário.
À noite, olhava para o céu cintilante e sentia-me melhor.
Sonhava que podia voar naquele céu.
Aqui, todos os meus sonhos podem se tornar reais…

Obrigada pelo ‘Espírito’ e pela ‘Oportunidade’.”

 

- Não está datado, apenas assinado com o nome: Sofi Collis.

- Ele está caducando…

- Presta atenção! Ele é um velho muito sábio!

- Senhores, não quero que pensem que estou fora de meu juízo. Meu irmão gêmeo e eu fomos enviados a este planeta para explorá-lo. Deveríamos documentar tudo o que víamos e enviar a nosso planeta. Dados como temperatura, relevo, existência de água, de vida…

- Você está fora de si, Opportunity.

- Deixem-me terminar. Eu sinto que já não tenho tanto tempo de vida, já que dependo mais do sol do que vocês, embora ele esteja cada vez mais distante de nós. Em nossa missão, meu irmão Spirit e eu nos separamos. Deveríamos vasculhar pontos diferentes de nosso planeta, apesar do risco da operação. Lembro-me de enviar dados ao meu planeta natal, mas não me lembro como. Durante uma tempestade de inverno, fiquei encolhido e sem alimentação durante toda a estação, mas milagrosamente, sobrevivi. Não posso dizer o mesmo de meu irmão gêmeo. Provavelmente, a carcaça dele deve ter sido encoberta por outras tempestades ao longo dos anos.

- Se isso que diz é verdade, Opportunity, como você pode provar? Você é igualzinho a nós! Não tem como ser de outro planeta.

- Queridos. Ao longo dos anos, o meu planeta enviou mais de nós para missões especiais, inclusive de povoamento. Todos vocês são fruto da procriação de uma raça alienígena!

- Ora, não me venha com essa!

- Quanta baboseira!

- Alguém faça este velho calar a boca!

- Por favor, senhores. Acreditem em mim. O que digo é a mais pura verdade. Mas não tenho como provar porque o meu antigo planeta foi extinto.

- Colidiu com meteoro?

- Explodiu sozinho?

- Derreteu feito sorvete?

- Não, senhores. Os próprios habitantes de meu planeta o extinguiram. Este planeta, na verdade, era habitado por diferentes seres. Mas tinha uma raça que se julgava superior às outras. Senhores, este planeta era um paraíso. Era rico em vegetação, das mais variadas espécies. Tinha água em grande quantidade, alimento para todos; raças diferentes conviviam sob o mesmo teto. Mas, com o tempo, esses seres superiores subjugaram o planeta e todas as demais raças, exterminando muitas delas. E, como se isso não fosse suficiente, devastaram, ao longo de milênios, a vegetação do planeta. Nesse tempo, meu irmão e eu fomos enviados para cá, porque essa raça se sentia tão superior que não se contentou apenas com o que já conseguira conquistar.

Pausa. Suspiro.

- Mais e mais de nós foram enviados para cá, a fim de sondar o planeta e encontrar condições de habitação. Mas sempre houve conflitos de interesses, brigas, guerras, extermínio. O planeta ficou devastado, e as raças foram se extinguindo, até sobrar um resto de civilização. Até onde tenho conhecimento, todos os seres viventes do planeta foram exterminados, antes que algum deles pudesse alcançar nossa órbita.

- Então, você não fazia parte da tal raça superior, Opportunity?

- Não. Ninguém aqui descendeu dela. Eu apenas fui criado por eles, mas perdemos o contato. Após o desaparecimento de meu irmão, tornei-me independente. Vaguei sem destino por caminhos íngremes, tortuosos, crateras, desertos, até que um dia descobri que não estava sozinho.

- Foi o dia que você apareceu no topo da montanha, quase desfalecendo! Eu me lembro bem, pois cuidei de você naquele dia.

- Sim, Curiosity. E sou grato a você, por isso. Inclusive, devo informá-lo que você é uma das sondas que foi enviada pra cá, por volta do remoto ano de 2011. Eu me lembro de ter tido acesso a esse relatório, antes de perder o contato com o meu planeta. Alguns anos mais tarde, após a descoberta definitiva de água por aqui, mais alguns de vocês chegaram. Outros de vocês nasceram aqui. Ah, se a raça superior soubesse que não seria imortal…! Se eles soubessem do sucesso da missão aqui em Marte…! Infelizmente, o único projeto deles que deu certo foi o que eles não conseguiram interferir diretamente. Até porque, tudo o que eles colocavam as mãos, mais cedo ou mais tarde, virava ruínas.

- E essa raça superior tem um nome, Opportunity?

- Opportunity?

- O sol se pôs, galera. Não se lembram que ele só funciona a energia solar? Vamos todos para a casa e deixem o velho Opportunity recarregar as baterias. Já ouvimos lendas demais por hoje.

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Este texto é baseado em fatos reais. Pode até parecer viagem, mas escrevi isso inspirado nas sondas de Marte – Spirit e Opportunity. Até o versinho no começo é verdadeiro: dele, surgiu os nomes das duas sondas. O curioso é que elas deveriam “sobreviver” apenas 3 meses, mas estão lá em Marte, funcionando, desde 2004. Então, tentei imaginar um futuro para isso. As informações estão bem explicadinhas nesses links:

Sonda Opportunity

http://migre.me/1pJr6

 

Sonda Spirit

http://migre.me/1pJsk

 

Missões, sensibilidade do Spirit

http://migre.me/1pJsP

 

Robô Curiosity para 2011

http://migre.me/1pJtg

 

Novos robôs em vista

http://migre.me/1pJtJ

 


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* Pode reproduzir este conteúdo à vontade, desde que cite a fonte.


De 4 em 4, de A a Z

setembro 13, 2010

A letra A apareceu na promessa, mas não no cumprimento.

A letra B acreditou e fez papel de boba. Duas vezes.

A letra C calçou uma cedilha para aparecer na eleição.

A letra D sugeriu iniciar os debates eleitorais.

A letra E apareceu duas vezes nos debates.

A letra F concorda que onde há fumaça, há fogo.

A letra G não vota porque está no Paraguai.

A letra H sempre desconfia que há algo errado.

A letra I ainda não percebeu que está no meio da eleição.

A letra J tem boca suja, mas ficha limpa.

A letra K não vota porque ainda tem poucos km rodados.

A letra L ficou entre calar e mal falar.

A letra M já tem seu lugar garantido antes do P e do B.

A letra Nfaz parte do senado.

A letra O dormiu no ponto.

A letra P fez parte da pesquisa, mas não apareceu nas estatísticas.

A letra Q se omite atrás da interrogação e diz que não sabe de nada.

A letra R já foi vista duas vezes no meio dos corruptos.

A letra S só faz discurso em plural.

A letra T é dona da TV e faz tráfico de informações.

A letra U entrou na urna.

A letra V começou a votação.

A letra W se naturalizou, mas não vai às urnas.

A letra X recebe poucos votos, mas é eleita por baixo dos panos.

A letra Y traz o catupiry.

A letra Z, sorridente, aparece com a pizza no final.

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O legal é analisar linha por linha. Todas elas têm uma brincadeirinha.

Mas, na hora de votar, esqueça as brincadeiras e vote com consciência.

Já não basta o nariz de palhaço que a gente tem que vestir de 4 em 4 anos…

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