Palavras

agosto 24, 2009

Fonte: www.teachpeace.com/methodology

Tudo o que me motiva

É ao mesmo tempo

Tudo o que me impede.

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A alma sempre pede por algo mais

E me questiono:

Até quando

O muro que me protege

Vai aguentar a pressão

Já que os tijolos são feitos

De fracassos?

Será que esse material é bom?

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***

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Sou cercado

Por demagogia

Discursos prontos, vagos

De gente que vomita palavras

Como se elas não fossem importantes

.

As palavras são cruciais

Mas ninguém enxerga isso.

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***

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Não entendo

Por Deus, não entendo

O anseio que as pessoas têm

De mostrar que sabem

Mais do que você

Que, por falar difícil

Elas são mais altas

Mais prontas

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Frases decoradas

Papo furado

Conteúdo zero

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***

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Palavras, palavras

Que se transformam em lágrimas,

Em vômito, em tinta,

Em vazio

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Palavras, eu as amo

Mais do que a mim mesmo

E talvez seja esse o meu defeito

Porque elas são apenas amigas

Passeando nos lábios de outros

Que as usam como objetos

Sem compreender seu real valor

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O dia se foi

Pra mim já deu

Não quero mais vomitar palavras hoje.

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* Pode reproduzir este conteúdo à vontade, desde que cite a fonte.


Implosão

abril 13, 2009

A gente se ‘abala’ quando a gente grita o mais alto que pode, sem ao menos abrir a boca.

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* Pode reproduzir este conteúdo à vontade, desde que cite a fonte.


Expresso da Solidão

março 27, 2009

Engoliu um gole de café amargo e olhou em volta. Duas horas já haviam se passado. O vento enregelava-lhe até o último fio de seus cabelos já grisalhos.

No horizonte, o sol procurava abrigo. A noite seria longa.

Ao longe, o apito surdo do próximo trem o trouxe de volta à realidade. O último gole de café desceu gelado pela sua garganta. Ergueu-se pesadamente, inebriado pelo aroma do grande eucalipto que se despia aos poucos no pátio da estação deserta.

As primeiras estrelas já apareciam quando seus pés tocaram o último degrau do vagão de segunda classe. Na mala, apenas o que sobrara de seus poucos pertences. Na alma, o grito de dor, sufocado e enterrado bem profundo, sem forças para sair.

Entregou a passagem, acomodou-se no primeiro assento vago. O estofado desbotado confortou-lhe as costas cansadas, provendo-lhe algum alento. Encolhendo-se, recostou a fronte contra o vidro e inspirou doloridamente, soltando o ar ao poucos.

Lá fora, o breu. Dentro de si, a penumbra.

Um acesso de tosse, o burburinho dos passageiros, o tranco que indicou que o trem partiria.

Entorpecido em seus próprios pensamentos, encolheu-se ainda mais e encarou a janela, na busca inútil por algo lá fora que lhe avivasse os sentidos. Mas nada de fora pode consolar quando o interior é impenetrável.

Divisou a sombra do grande eucalipto e despediu-se com os olhos. Puxou a gola do casaco e protegeu-se do frio, sem ter com o que proteger sua alma.

De coração pesado, adormeceu, na esperança de esquecer. Esquecer pela primeira vez, ou quem sabe esquecer de uma vez por todas.

As pálpebras ocultaram-lhe as sombras e ele deslizou para dentro de si mesmo, arrastando sua própria dor pelo Expresso da Solidão.

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* Pode reproduzir este conteúdo à vontade, desde que cite a fonte.


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