
Entrou no ônibus e acomodou-se nos assentos de idosos. Roupa surrada, chinelo de dedo. Sem dinheiro.
Encostou a cabeça na janela, apesar dos solavancos que o ônibus fazia.
Olhando para fora, fitou o vazio. Do lado de dentro, outros vários olhos se concentravam nele.
A viagem prosseguiu, apesar disso.
Em uma dessas paradas, dois rapazolas entraram de arma em punho.
Um deles foi direto ao cobrador. O outro pulou a catraca, instalando o pânico naquela meia dúzia de passageiros.
O rapazola do corredor “reuniu” alguns pertences alheios em uma mochila e repassou-a ao companheiro, saindo pela porta dos fundos.
Após terminar de “fazer a rapa” no cobrador e enfiar tudo na mochila compartilhada, o primeiro delinquente recuou rumo à porta da frente.
Esse foi o seu erro.
Um chinelo de dedo, recheado com um forte pé cascudo, tratou de desarmar o trombadinha, enquanto um pulso forte arrebatou a mochila e empurrou o moleque de encontro ao motorista.
O dinheiro e os pertences foram recuperados. Todos se sentiram felizes.
Na verdade, aliviados.
Ninguém aplaudiu.
Minutos depois a polícia fez sua visita ao ônibus, levando consigo o rapazola.
E botou ordem.
A viagem recomeçaria, mas agora sem a presença de seu herói sujo.
Ele não tinha dinheiro pra pagar a passagem.
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Escrito por Tiasley